Para mais tarde recordar o que o tempo não levou...

segunda-feira, 12 de abril de 2010

A minha (nossa) melodia

"A vida assemelha-se muito a uma melodia: no princípio há um mistério, no final uma conclusão, mas é no meio que toda a emoção reside e faz com que a totalidade valha a pena"

A minha melodia é tua, tal como tudo o resto. Ajudaste-me a construí-la e deixa-me dizer-te que o soubemos fazer de uma maneira só nossa, para lá da minha imaginação. Não quero perdê-la, porque isso implicaria ter de perder um milhão de coisas que lhe estão agregadas, e se realmente um dia as perdesse, tudo deixaria de ter sentido (e tudo tem de ter um sentido!).
E uma melodia sem sentido? Não é nada. Torna-se até um transtorno para quem a ouve, pois não passa de um conjunto de notas mal posicionadas resultando numa confusão de sons que não são agradáveis de ouvir.

Ninguém quer uma melodia assim. Ninguém quer uma vida assim.
E eu, quero-te a ti...
...pois és a nota que jamais pode faltar na minha melodia.

sábado, 13 de março de 2010

Um dia, quando nos for permitido

Um dia quero acordar e sentir o teu corpo junto ao meu, as tuas mãos a tocarem-me terna e delicadamente no meu rosto e o teu sorriso a brilhar pela manhã. Quero preparar-te o pequeno-almoço e sentir o cheiro a café e torradas no ar. Quero arrumar (e desarrumar) o quarto contigo, ligar-te a torneira de água quente do chuveiro, abraçar-me a ti enrrolada na toalha. Quero escolher a tua roupa, fazer-te o nó na gravata e colocar a minha fotografia na tua carteira, antes de a enfiares no bolso. Quero remoer-me de inveja por não poder trabalhar a teu lado e de ansiedade, por não te encontrar perto de mim durante tantas horas. Quero levar-te ao carro, desejar-te um bom dia e pedir-te para nunca te esqueceres de mim e que estarei no sítio onde me deixaste, à tua espera.
Quando voltares, quero preparar-te o jantar, rir-me contigo do dia caótico que tivemos e gozar com tudo aquilo que mais nos apetecer. Depois, quero descansar no teu peito, ouvir a tua respiração e sentir que me amas, sem ser preciso proferires palavra alguma: os teus olhos dizem-no a toda a hora. A seguir, quero que me leves ao colo para o nosso ninho e que fiques lá a contemplar toda a beleza que a vida nos ofereceu, até fechar os olhos, adormecida.
Quero que todas estas pequenas coisas comandem a minha vida e que sejas tu a pessoa que me vai ver envelhecer, mudar de expressão e ajudar a combater a vinda das rugas. Isso, e ajudar-me também a atravessar uma estrada, a levar-me ao médico e a oferecer-me rosas no dia em que fizermos anos de casados.

(Já entendeste o quanto te quero?)

AMO-TE, para sempre (mas sempre mesmo!)

sexta-feira, 5 de março de 2010

Onde estás tu, romantismo?


Às vezes, perdida nos meus pensamentos, encaro as diferenças entre o passado e o presente. Não é que esteja sempre a pensar nisso, mas de vez em quando deparo-me com situações de puro esquecimento, memórias que foram deixadas para trás, perdidas. Custa-me acreditar que o romantismo de antigamente se vai perdendo, dia após dia, e que poucos se preocupam em mantê-lo "vivo". É estranho, não é? Ainda mais para alguém como eu, que não viveu nesse presente e está a falar de algo que provavelmente não sabe.
Digo-vos porque é que não é estranho: todos nós gostamos de receber carinho, afecto da parte das pessoas que mais amamos. E se esse carinho for demonstrado um pouco todos os dias, esse amor vai continuando a "respirar".

Hoje em dia, esse "pseudo-carinho" é demonstrado, por vezes, da forma menos simpática, agradável, quero eu dizer que a tecnologia trata desse assunto. Através da Internet e dos telemóveis podemos manter contacto com as pessoas que desejamos, ainda para mais atráves dos tarifários "extravaganza", "moche", "tag". Como os anúncios dizem, "falar sem limites". Agora, peço-vos que recuem um bocadinho no tempo. De certeza que sabiam que esses avanços tecnológicos todos são recentes e, por isso, a correspondência era feita de outra forma. Era feita através de cartas, que os amantes trocavam em tempos felizes ou menos felizes. Os amantes encontravam-se às escondidas dos pais, e toda aquela paixão era um mistério e, na maioria dos casos, uma paixão que durava séculos. E porquê? Porque tudo estava por descobrir, e porque essa descoberta suscitava prazer. Actualmente esse prazer pouco ou nada existe, porque tudo o que é suposto descobrir já está à vista de qualquer ser humano. Poucos são aqueles que realmente escrevem às pessoas que amam, que realmente ligam a estas "lamechices". Odeio acreditar nisto, mas o mundo está a ficar cada vez pior. E as coisas boas que nos foram oferecidas estão a ser extinguidas tal como os animais.

Admito, gosto muito de ser romântica e vice-versa. Adoro receber cartas de amor debaixo da minha porta, bilhetinhos colocados nos sítios mais inimagináveis e de me sussurrarem um doce e eterno "amo-te" ao ouvido. Por telemóvel ajuda, mas nada é tão real, tão sentido. Por isso, guardo no meu coração todos aqueles momentos em que fiz o romantismo renascer e em que me senti mesmo gigante.
Não o deixem morrer, é a única coisa que vos peço!

"Em ti renascerei num mundo só meu"

(Lembro-me de tudo como se fossem ontem. Será tão para sempre como tu e eu)

sábado, 20 de fevereiro de 2010

Lembra-te (por favor)

"Ficas comigo?"

Só se for para sempre.. E consegues adivinhar porquê?
Porque jamais te quero perder, jamais quero sentir a dor da perda a penetrar-me o coração, a cada minuto. E se for para sempre, ao menos sei que não me vou sentir assim, não vou sentir a tua ausência, os teus passos marcados no meu espaço.

Perder-te é como o céu sem estrelas, como o mar sem ondas, como as árvores sem flores, como as palavras sem som, como o meu corpo sem sangue. Perder-te é DESPIR-ME de mim e de tudo o que sou.

E eu quero-te..
(oh, meu deus!)

...TANTO!

quarta-feira, 3 de fevereiro de 2010

TENHO MEDO

Tenho medo das mais pequenas coisas que possas imaginar. Tenho medo das coisas simples que antes pareciam fazer sentido. Sinto medo ao caminhar, ao olhar para o lado. Sinto medo de acordar, de ouvir o som da campanhia, ao sentir o telefone a vibrar ou até de uma mensagem a chegar. Tenho medo do que sinto ou do que não sinto. Tenho medo do som da tua voz, das tuas palavras, do teu cheiro. Tenho medo das saudades. Das saudades e de tudo o que deixei (ou deixámos) para trás: dos beijos, dos abraços, dos sorrisos, das sestas ao lado um do outro, das brincadeiras, da tua mão na minha, dos teus olhos nos meus, da tua presença a toda a hora, dos encontros, dos pequenos textos, do nada que se tornou tudo e da vida a dois que parecia ser eterna.
E tudo porque nós nos abandonámos, porque o "adeus" caiu nos nossos colos e o som do nosso amor deixou de se ouvir.
(E eu? Onde ando eu no meio disto tudo? Serei assim tão transparente, tão indiferente? Ou pensas que já não tenho coração?)
Tenho medo, demasiado medo.


Mas o maior de todos, é o de amanhã ter de virar a página e tu já não te encontrares no capítulo seguinte.


(Ninguém compreende, ninguém consegue. Nem mesmo tu)

sábado, 16 de janeiro de 2010

Vultos

Enquanto vou a caminhar pelas ruas da cidade, olho para as montras das lojas que dizem "SALDOS" e ponho-me a pensar como ficarei com as roupas que as manequins estão vestidas. É quando estou a olhar atenciosamente para o vidro, que reparo num vulto, do outro lado da estrada, a observar-me. “Serás tu?”, é o meu primeiro pensamento. Viro-me, para observar melhor, e o vulto que olhava para mim tornou-se mais nítido mas, para grande mal, desta vez estava de costas voltadas para mim. Aproximo-me, na esperança de te encontrar, e é nesse momento que reparo que não és tu. Apenas alguém muito parecido contigo, ou muito diferente, não sei. Às tantas já não sei se foi loucura mesmo ou se o homem que vi eras mesmo tu, mas que desapareceu assim que me voltei para ver melhor. Não devias de ser tu, é nada mais nada menos que uma ilusão minha, só pode! Digo isto porque enquanto caminho sozinha, em todas as pessoas vejo a tua cara, os teus gestos, o teu sorriso. É estranho, mas é a minha verdade. Estás em todo lado e agora, tenho a certeza disso. És a única coisa que vejo à frente. Tu, e o apagão que às vezes provocas em mim.
Tu, tu e só tu!

(E a matrícula do teu carro também, na esperança que estejas lá dentro para me levar a casa)

quinta-feira, 7 de janeiro de 2010

Como se não houvesse amanhã

Beija-me. Beija-me com uma delicadeza nunca experimentada. Beija-me, imaginando que fosse a última vez que o poderias fazer. Imaginando que as nossas mãos iriam deixar de se tocar, o vento de soprar, e os nossos corações de palpitar. Imaginando que a partir dali só irias ver nublado e que nada te iria iluminar o caminho, onde os teus passos deixariam de ficar registados porque a nossa história deixou de existir. E assim, não verias mais nada, pois não haverá nada para além disso.
Por isso, beija-me. Beija-me hoje, beija-me agora. Beija-me dessa maneira que eu tanto anseio e que faz o meu sangue ferver e o meu corpo estremecer.

ESTOU À TUA ESPERA!
(porque ainda está tudo muito líquido e não tende em ficar sólido)