Para mais tarde recordar o que o tempo não levou...
sábado, 16 de janeiro de 2010
Vultos
Enquanto vou a caminhar pelas ruas da cidade, olho para as montras das lojas que dizem "SALDOS" e ponho-me a pensar como ficarei com as roupas que as manequins estão vestidas. É quando estou a olhar atenciosamente para o vidro, que reparo num vulto, do outro lado da estrada, a observar-me. “Serás tu?”, é o meu primeiro pensamento. Viro-me, para observar melhor, e o vulto que olhava para mim tornou-se mais nítido mas, para grande mal, desta vez estava de costas voltadas para mim. Aproximo-me, na esperança de te encontrar, e é nesse momento que reparo que não és tu. Apenas alguém muito parecido contigo, ou muito diferente, não sei. Às tantas já não sei se foi loucura mesmo ou se o homem que vi eras mesmo tu, mas que desapareceu assim que me voltei para ver melhor. Não devias de ser tu, é nada mais nada menos que uma ilusão minha, só pode! Digo isto porque enquanto caminho sozinha, em todas as pessoas vejo a tua cara, os teus gestos, o teu sorriso. É estranho, mas é a minha verdade. Estás em todo lado e agora, tenho a certeza disso. És a única coisa que vejo à frente. Tu, e o apagão que às vezes provocas em mim. Tu, tu e só tu! (E a matrícula do teu carro também, na esperança que estejas lá dentro para me levar a casa)