Para mais tarde recordar o que o tempo não levou...

sábado, 13 de março de 2010

Um dia, quando nos for permitido

Um dia quero acordar e sentir o teu corpo junto ao meu, as tuas mãos a tocarem-me terna e delicadamente no meu rosto e o teu sorriso a brilhar pela manhã. Quero preparar-te o pequeno-almoço e sentir o cheiro a café e torradas no ar. Quero arrumar (e desarrumar) o quarto contigo, ligar-te a torneira de água quente do chuveiro, abraçar-me a ti enrrolada na toalha. Quero escolher a tua roupa, fazer-te o nó na gravata e colocar a minha fotografia na tua carteira, antes de a enfiares no bolso. Quero remoer-me de inveja por não poder trabalhar a teu lado e de ansiedade, por não te encontrar perto de mim durante tantas horas. Quero levar-te ao carro, desejar-te um bom dia e pedir-te para nunca te esqueceres de mim e que estarei no sítio onde me deixaste, à tua espera.
Quando voltares, quero preparar-te o jantar, rir-me contigo do dia caótico que tivemos e gozar com tudo aquilo que mais nos apetecer. Depois, quero descansar no teu peito, ouvir a tua respiração e sentir que me amas, sem ser preciso proferires palavra alguma: os teus olhos dizem-no a toda a hora. A seguir, quero que me leves ao colo para o nosso ninho e que fiques lá a contemplar toda a beleza que a vida nos ofereceu, até fechar os olhos, adormecida.
Quero que todas estas pequenas coisas comandem a minha vida e que sejas tu a pessoa que me vai ver envelhecer, mudar de expressão e ajudar a combater a vinda das rugas. Isso, e ajudar-me também a atravessar uma estrada, a levar-me ao médico e a oferecer-me rosas no dia em que fizermos anos de casados.

(Já entendeste o quanto te quero?)

AMO-TE, para sempre (mas sempre mesmo!)

sexta-feira, 5 de março de 2010

Onde estás tu, romantismo?


Às vezes, perdida nos meus pensamentos, encaro as diferenças entre o passado e o presente. Não é que esteja sempre a pensar nisso, mas de vez em quando deparo-me com situações de puro esquecimento, memórias que foram deixadas para trás, perdidas. Custa-me acreditar que o romantismo de antigamente se vai perdendo, dia após dia, e que poucos se preocupam em mantê-lo "vivo". É estranho, não é? Ainda mais para alguém como eu, que não viveu nesse presente e está a falar de algo que provavelmente não sabe.
Digo-vos porque é que não é estranho: todos nós gostamos de receber carinho, afecto da parte das pessoas que mais amamos. E se esse carinho for demonstrado um pouco todos os dias, esse amor vai continuando a "respirar".

Hoje em dia, esse "pseudo-carinho" é demonstrado, por vezes, da forma menos simpática, agradável, quero eu dizer que a tecnologia trata desse assunto. Através da Internet e dos telemóveis podemos manter contacto com as pessoas que desejamos, ainda para mais atráves dos tarifários "extravaganza", "moche", "tag". Como os anúncios dizem, "falar sem limites". Agora, peço-vos que recuem um bocadinho no tempo. De certeza que sabiam que esses avanços tecnológicos todos são recentes e, por isso, a correspondência era feita de outra forma. Era feita através de cartas, que os amantes trocavam em tempos felizes ou menos felizes. Os amantes encontravam-se às escondidas dos pais, e toda aquela paixão era um mistério e, na maioria dos casos, uma paixão que durava séculos. E porquê? Porque tudo estava por descobrir, e porque essa descoberta suscitava prazer. Actualmente esse prazer pouco ou nada existe, porque tudo o que é suposto descobrir já está à vista de qualquer ser humano. Poucos são aqueles que realmente escrevem às pessoas que amam, que realmente ligam a estas "lamechices". Odeio acreditar nisto, mas o mundo está a ficar cada vez pior. E as coisas boas que nos foram oferecidas estão a ser extinguidas tal como os animais.

Admito, gosto muito de ser romântica e vice-versa. Adoro receber cartas de amor debaixo da minha porta, bilhetinhos colocados nos sítios mais inimagináveis e de me sussurrarem um doce e eterno "amo-te" ao ouvido. Por telemóvel ajuda, mas nada é tão real, tão sentido. Por isso, guardo no meu coração todos aqueles momentos em que fiz o romantismo renascer e em que me senti mesmo gigante.
Não o deixem morrer, é a única coisa que vos peço!

"Em ti renascerei num mundo só meu"

(Lembro-me de tudo como se fossem ontem. Será tão para sempre como tu e eu)