Para mais tarde recordar o que o tempo não levou...

sábado, 21 de julho de 2012

Please, stop the rain!

   Sinto um vazio dentro de mim que me corrói, que lentamente me consome, atravessando o meu coração, deixando-me quase sem respiração. Há coisas na vida que não se explicam, ou melhor, cuja explicação está inacessível ao comum mortal. Há respostas que nunca vou obter, mas as perguntas vão continuar a surgir e, apesar de ser inútil interrogar-me acerca de tais coisas, vou continuar a fazê-lo, consciente ou inconscientemente.
   O tempo é escasso e cada vez tenho mais noção disso. Sinto-o a passar por mim, como o vento que passa e abana as folhas das árvores. Nunca sabemos o que vem amanhã, mas continuamos a fazer planos como se fossemos eternos e como se futuro adquirisse maior importância do que o presente. Eu estou aqui, a escrever, mas anseio sair, libertar-me, ser maior.
   Vejo muita gente à minha volta, pedindo silenciosamente ajuda, pensando em algo que não têm ou em alguém que já partiu. O mais estranho é que quando olho ao espelho também me vejo a mim, à procura de qualquer coisa que sinto que não tenho e que, talvez, já não me pertença. Gostava de voltar a viver sem medo do amanhã, de me deitar na cama e só pensar no quão bom é esticar-me sobre os meus lençóis frescos, que abafam o calor.
   O presente muda-nos, eu que o diga. Só quero tornar os meus dias os melhores de sempre, aproveitá-los sem pensar no que poderia ou não ter feito, apenas saboreando o que tenho em mãos. Será possível? Será possível olhar para as coisas e não desejar ter mais? Ou será que tenho de te ter sempre em primeiro lugar, como se fosses a coisa mais importante e mais bonita do mundo?

   Quero respirar!


domingo, 15 de julho de 2012

Saudade

   Quando me deito na cama e fico entretida com os meus pensamentos, dou por mim a sonhar com tempos passados, tempos que ficaram retidos na minha memória e que a ela pertencem por inteiro. Lembro-me do sabor dos teus beijos, do calor do teu corpo junto ao meu, dos arrepios e do nervosismo após a tua mão tocar na minha, do teu olhar intimidante que me roubava as palavras e do teu humor contagiante ao contar os acontecimentos do dia-a-dia.
   Lembro-me de como era bom chegar a casa e de não ter nada com que me preocupar. De pegar no telefone e de encontrar o teu número, marcando-o imediatamente. Duravam horas as nossas conversas, bem como as gargalhadas que advinham dos nossos comentários face ao mundo que em vivemos. Éramos como almas gémeas, que talvez só se encontram uma vez na vida, ou até mesmo, nunca surjam a outrem, pois há quem passe a vida numa busca incessante pelo verdadeiro amor e nunca o encontre.
   Retomando as minhas memórias, lembro-me do quão bom era ouvir a tua voz e sentir a tua respiração no meu peito, fazendo-me sentir segura, protegida, amada. Momentos que não se compram com nada e que não se desprendem por mim, por mais que tente. Amar-te era o que me dava vida. Sentir-te era viver. Beijar-te... alcançar a plenitude, seja isso o que for.
   Gostava de ser novamente amada, desejada. De viver tudo aquilo que ainda não vivi ao teu lado, de me sentir tua, de ter um lugar meu ao qual possa chamar "casa". Queria ter o meu abrigo, o meu porto seguro, onde lá ninguém me pudesse magoar ou alterar os planos que fiz para mim. Não há nada mais bonito do que os passeios que davamos em frente ao mar, das tardes deitados na relva a olhar o céu, das nossas mãos unidas sempre que queríamos mostrar ao mundo que estavamos felizes. Quem me diz que não posso voltar atrás? Voltar atrás, viver mais e mais e melhor. Mas, sobretudo, viver.
  Eu ainda acredito no amor. Aconteça o que acontecer, eu sei que ele existiu, existe e existirá. Não importam os outros. Importa aquilo que se desgina por sentimentos íntimos e singulares. Importas tu e eu.


quarta-feira, 11 de julho de 2012

Desencontros

   Quando a força da Natureza é superior às nossas vontades íntimas, não há nada que se possa fazer em relação a isso. Basicamente, não há como contrariar o Universo, não há como fugir do inevitável. E as pequenas provas estão no dia-a-dia, basta olhar o mundo com um olhar atento.

terça-feira, 10 de julho de 2012

Afinal, tenho medo do escuro

   Há sentimentos que nos acompanham pela vida fora, que nem o tempo nem os outros conseguem abalar. Quando pensamos que a vida nos corre bem, surge um pedregulho em fronte de nós, disposto a desafiar-nos em todas as medidas. É nesses momentos que nos transcendemos, que todas as nossas forças emergem e demonstram a pessoa que somos e que, muitas vezes, desconhecemos. A nossa identidade vai-se construindo e vamos-nos descobrindo através do modo como ousamos superar as barreiras, como exploramos as nossas forças, garra e vivacidade. 
   Mas é difícil
   Parte de nós enfraquece cada vez que nos trespassam o coração, como se de uma dor física se tratasse, que nos corrói lentamente. Dói e, embora o tempo não deixe o relógio parar, continua a doer, muitas vezes, inconscientemente. 
   Uma dor nunca se define por meras palavras. Uma dor revela-se em nós a qualquer momento, em qualquer gesto e traço da nossa personalidade. Esta é mais uma dor que marcará o meu percurso até às estrelas, é mais um marco da minha história. 
   E é por isso que hoje escrevo, na ânsia de tornar a minha dor num momento passado da minha vida. Numa dor que me diz quem sou e o que faço aqui. 
  

Ben Howard

   Eis o meu lema para os próximos tempos: "Keep your head up, keep your heart strong. Keep your mind set, keep your hair long."