Para mais tarde recordar o que o tempo não levou...

sábado, 16 de janeiro de 2010

Vultos

Enquanto vou a caminhar pelas ruas da cidade, olho para as montras das lojas que dizem "SALDOS" e ponho-me a pensar como ficarei com as roupas que as manequins estão vestidas. É quando estou a olhar atenciosamente para o vidro, que reparo num vulto, do outro lado da estrada, a observar-me. “Serás tu?”, é o meu primeiro pensamento. Viro-me, para observar melhor, e o vulto que olhava para mim tornou-se mais nítido mas, para grande mal, desta vez estava de costas voltadas para mim. Aproximo-me, na esperança de te encontrar, e é nesse momento que reparo que não és tu. Apenas alguém muito parecido contigo, ou muito diferente, não sei. Às tantas já não sei se foi loucura mesmo ou se o homem que vi eras mesmo tu, mas que desapareceu assim que me voltei para ver melhor. Não devias de ser tu, é nada mais nada menos que uma ilusão minha, só pode! Digo isto porque enquanto caminho sozinha, em todas as pessoas vejo a tua cara, os teus gestos, o teu sorriso. É estranho, mas é a minha verdade. Estás em todo lado e agora, tenho a certeza disso. És a única coisa que vejo à frente. Tu, e o apagão que às vezes provocas em mim.
Tu, tu e só tu!

(E a matrícula do teu carro também, na esperança que estejas lá dentro para me levar a casa)

quinta-feira, 7 de janeiro de 2010

Como se não houvesse amanhã

Beija-me. Beija-me com uma delicadeza nunca experimentada. Beija-me, imaginando que fosse a última vez que o poderias fazer. Imaginando que as nossas mãos iriam deixar de se tocar, o vento de soprar, e os nossos corações de palpitar. Imaginando que a partir dali só irias ver nublado e que nada te iria iluminar o caminho, onde os teus passos deixariam de ficar registados porque a nossa história deixou de existir. E assim, não verias mais nada, pois não haverá nada para além disso.
Por isso, beija-me. Beija-me hoje, beija-me agora. Beija-me dessa maneira que eu tanto anseio e que faz o meu sangue ferver e o meu corpo estremecer.

ESTOU À TUA ESPERA!
(porque ainda está tudo muito líquido e não tende em ficar sólido)