
Às vezes, vou deambulando pelas ruas e sou assaltada por inúmeros pensamentos que me remetem sempre para a mesma imagem, a mesma expressão, a ousadia do costume: TU. Começo a pensar nas coisas que poderíamos fazer lado a lado, salvaguardando tempo e abusando em carinhos, sorrisos, beijos, mil e uma coisas que de tão pequeninas, se tornam em grandes gestos e oferecem magia aos momentos.
Não sei exactamente o instante em que me perdi nas representações mentais, nem sei quanto tempo demorei, mas estive submersa durante algum tempo. Representações mentais. Sim, porque neste momento não podem ir mais além, apenas com um toque da minha criatividade, juntamente com o meu desejo, se podem assemelhar à realidade. Realidade essa que teima em não voltar.

Passando em frente às montras, imagino-te de mãos dadas comigo, em plena baixa da cidade, cheios de gorros e cachecóis para o frio não nos consumir. Abraças-me, eu abraço-te e em seguida sou surpreendida por um beijo interminável que me deixa mais quente do que nunca. Continuamos a percorrer caminhos sem rumo, não nos importando ao certo com o que nos rodeia. Nesse pequeno passeio, só existe eu, tu e o frio.
Perdida em fantasias, reparo que está a dar um filme, daqueles que ambos gostamos, e que as minhas intenções são as de me enfiar debaixo da manta contigo, a comer pipocas ou a beber um chávena de leite bem quentinho. Trocamos olhares por uns instantes, as nossa mãos entrelaçam-se e os nossos corpos atraem-se mutuamente como um íman.
Também me imaginei a preparar-te o pequeno-almoço e a levar-to à cama, iniciando assim um serão maravilhoso. Rimos e rimos a contar piadas um ao outro, a troçar do mundo e das coisas que nos causam algum desconforto, tornando a vida cheia de alegria e segurança. Pequenos gestos transformados em mundo. Em vida.
É triste ver-te tão longe, perto só em pensamento. Olhar pela janela e as luzes estarem apagadas. Olhar para o telefone e ele não vibrar com uma mensagem tua. É triste olhar para as horas e não sentir um nervoso miudinho porque sei que não vens ter comigo. É, simplesmente, desolador. São sonhos atrás de sonhos, ideias que não passam disso. Mas ainda as tenho. E guardo-as no local mais sagrado que existe: o meu coração. Talvez pertençamos ao futuro, quem sabe. O passado foi nosso e pode haver um atalho mais à frente, que nos coloque frente-a-frente e que nos deixe fundir num só.
Quem sabe?

