Para mais tarde recordar o que o tempo não levou...

sexta-feira, 5 de março de 2010

Onde estás tu, romantismo?


Às vezes, perdida nos meus pensamentos, encaro as diferenças entre o passado e o presente. Não é que esteja sempre a pensar nisso, mas de vez em quando deparo-me com situações de puro esquecimento, memórias que foram deixadas para trás, perdidas. Custa-me acreditar que o romantismo de antigamente se vai perdendo, dia após dia, e que poucos se preocupam em mantê-lo "vivo". É estranho, não é? Ainda mais para alguém como eu, que não viveu nesse presente e está a falar de algo que provavelmente não sabe.
Digo-vos porque é que não é estranho: todos nós gostamos de receber carinho, afecto da parte das pessoas que mais amamos. E se esse carinho for demonstrado um pouco todos os dias, esse amor vai continuando a "respirar".

Hoje em dia, esse "pseudo-carinho" é demonstrado, por vezes, da forma menos simpática, agradável, quero eu dizer que a tecnologia trata desse assunto. Através da Internet e dos telemóveis podemos manter contacto com as pessoas que desejamos, ainda para mais atráves dos tarifários "extravaganza", "moche", "tag". Como os anúncios dizem, "falar sem limites". Agora, peço-vos que recuem um bocadinho no tempo. De certeza que sabiam que esses avanços tecnológicos todos são recentes e, por isso, a correspondência era feita de outra forma. Era feita através de cartas, que os amantes trocavam em tempos felizes ou menos felizes. Os amantes encontravam-se às escondidas dos pais, e toda aquela paixão era um mistério e, na maioria dos casos, uma paixão que durava séculos. E porquê? Porque tudo estava por descobrir, e porque essa descoberta suscitava prazer. Actualmente esse prazer pouco ou nada existe, porque tudo o que é suposto descobrir já está à vista de qualquer ser humano. Poucos são aqueles que realmente escrevem às pessoas que amam, que realmente ligam a estas "lamechices". Odeio acreditar nisto, mas o mundo está a ficar cada vez pior. E as coisas boas que nos foram oferecidas estão a ser extinguidas tal como os animais.

Admito, gosto muito de ser romântica e vice-versa. Adoro receber cartas de amor debaixo da minha porta, bilhetinhos colocados nos sítios mais inimagináveis e de me sussurrarem um doce e eterno "amo-te" ao ouvido. Por telemóvel ajuda, mas nada é tão real, tão sentido. Por isso, guardo no meu coração todos aqueles momentos em que fiz o romantismo renascer e em que me senti mesmo gigante.
Não o deixem morrer, é a única coisa que vos peço!

"Em ti renascerei num mundo só meu"

(Lembro-me de tudo como se fossem ontem. Será tão para sempre como tu e eu)