Já há imenso tempo que não escrevia aqui. Aliás, pensei que nunca mais iria escrever. Mas não consigo. Se o futuro fosse outro, talvez não estivesse aqui, talvez estivesse agora, neste preciso momento, encostada a ti, enrolada nos teus beijos, no teu perfume, nas tuas carícias. Mas este futuro incerto, esta mágoa que constantemente me atormenta, não me deixa pensar em mais nada do que na tua sombra, vazia, mas presente.
Já pensei em diversos futuros para nós: sentados no sofá a ver um bom filme, rodeados de pipocas e de pizza; deitados na areia da praia a contemplar o pôr-do-sol, o barulho das ondas a baterem nas rochas e o som tranquilizante das andorinhas, juntamente com o azul profundo do céu; abraçados na cama, a ouvir a respiração um do outro, enquanto tentamos redescobrir caminhos já percorridos; e olharmos um para o outro através de um vidro, sem nos podermos tocar (só olhar, pelo menos, era o que eu pedia).Mas não, nenhum destes momentos teima em resistir às inconstâncias do presente. Tu, simplesmente, não voltas. E eu continuo no mesmo sítio, à tua espera. Não sei até quando. Estou farta de tentar adivinhar o futuro, estou farta de fazer falsos planos para depois cair no vazio. Digo para mim mesma que basta, que bastas, mas os inúmeros conflitos perduram dentro de mim e, pelo contrário, cada vez mais sinto a tua falta. Sim, tenho saudades tuas (saberás? Terás noção que passo os dias a pensar em ti?). Mas mais do que isso, tenho saudades de quem eras.
Não vou forçar aquilo que não está destinado. Cada vez acredito mais que somos forças opostas da natureza, a tentar contrariar um caminho que não volta a ser o mesmo. Tu tentas, eu resisto. Eu resisto, tu não tentas. Eu tento, tu não queres ouvir. E voltamos sempre aos velhos jogos, ao ciclo vicioso que nos domina. Pergunto-me porque é que não podemos ser felizes, porque é que não nos podemos amar sem peso nem medida e fazer do pouco tempo que dispomos uma eternidade. Porque contigo eu sei que tudo é possível. Basta trazeres um sorriso contigo, um olhar, uma palavra que aconchega o coração. E , assim, eu ganho asas, eu sou feliz.
Eu também sei que o tempo passa, que as pessoas mudam, que nada fica igual. Mas no fundo, eu sei que ainda estás aí, com a mesma timidez, inexperiência, paixão que tomavam conta de ti. Eu sei. Eu olho para ti e vejo o meu passado, vejo o quanto crescemos, o quanto descobrimos de mãos dadas. Só gostava de continuar a crescer contigo, de me entregar sem pensar se amanhã poderemos ou não estar juntos, sem pensar nas coisas que usámos para nos magoar, começando do zero. Por ti, volto ao início as vezes que forem preciso e continuo a pensar que quando somos felizes com uma pessoa, não precisamos de partir em busca de uma infinidade de corpos frios que nada nos significam. Como já ouvi dizer "os seres humanos são comandados pelas ligações que estabelecem com o mundo, com os outros", e cada vez tenho mais a certeza que a minha ligação a ti nunca vai desaparecer, passe o tempo que passar, esteja onde estiver.
O amor é uma dádiva e é a única coisa que dá valor à vida (ouve o que te digo e luta, por nós). Vou continuar neste dilema, mas enquanto te amar sei que estou viva, que vivo por ti, por nós, por tudo o que nos une, mesmo que nada se semeie de novo, mesmo que não leia mais mensagens tuas ou atenda chamadas, mesmo que estejas bem com outro alguém. Eu sei que vivi, que me apaixonei e que cresci. E isso já ninguém me pode tirar.
Amo-te
(e, se for possível, sente-me de novo)
(e, se for possível, sente-me de novo)
