Quando me deito na cama e fico entretida com os meus pensamentos, dou por mim a sonhar com tempos passados, tempos que ficaram retidos na minha memória e que a ela pertencem por inteiro. Lembro-me do sabor dos teus beijos, do calor do teu corpo junto ao meu, dos arrepios e do nervosismo após a tua mão tocar na minha, do teu olhar intimidante que me roubava as palavras e do teu humor contagiante ao contar os acontecimentos do dia-a-dia.
Lembro-me de como era bom chegar a casa e de não ter nada com que me preocupar. De pegar no telefone e de encontrar o teu número, marcando-o imediatamente. Duravam horas as nossas conversas, bem como as gargalhadas que advinham dos nossos comentários face ao mundo que em vivemos. Éramos como almas gémeas, que talvez só se encontram uma vez na vida, ou até mesmo, nunca surjam a outrem, pois há quem passe a vida numa busca incessante pelo verdadeiro amor e nunca o encontre.
Retomando as minhas memórias, lembro-me do quão bom era ouvir a tua voz e sentir a tua respiração no meu peito, fazendo-me sentir segura, protegida, amada. Momentos que não se compram com nada e que não se desprendem por mim, por mais que tente. Amar-te era o que me dava vida. Sentir-te era viver. Beijar-te... alcançar a plenitude, seja isso o que for.
Gostava de ser novamente amada, desejada. De viver tudo aquilo que ainda não vivi ao teu lado, de me sentir tua, de ter um lugar meu ao qual possa chamar "casa". Queria ter o meu abrigo, o meu porto seguro, onde lá ninguém me pudesse magoar ou alterar os planos que fiz para mim. Não há nada mais bonito do que os passeios que davamos em frente ao mar, das tardes deitados na relva a olhar o céu, das nossas mãos unidas sempre que queríamos mostrar ao mundo que estavamos felizes. Quem me diz que não posso voltar atrás? Voltar atrás, viver mais e mais e melhor. Mas, sobretudo, viver.
Eu ainda acredito no amor. Aconteça o que acontecer, eu sei que ele existiu, existe e existirá. Não importam os outros. Importa aquilo que se desgina por sentimentos íntimos e singulares. Importas tu e eu.
