Para mais tarde recordar o que o tempo não levou...

segunda-feira, 15 de junho de 2009

Presente quebrado


Tenho uma imagem presa na minha memória ansiosa por ser libertada...

Escondida do mundo, isolada no meu espaço com as portas fechadas para as pessoas, para ti, dou por mim sentada no chão sufocando de mágoa e lágrimas. Ao longo dos dias, fui enlouquecendo chegando ao ponto de contar os dias que passava sem derramar uma única gota de água vinda do meu ser. De todo, não era este o meu sonho, a minha felicidade. Estavas ao meu lado (como dizias estar) mas, mesmo assim, algo não estava a fazer sentido. Mais uma vez, as respostas pareciam voar para longe. Mas de uma coisa eu tinha a certeza: Eu amava-te (e continuo a amar)

A última imagem que pude guardar no meu coração-baú foi maravilhosa. Estavas deitado a meu lado, e eu, encostada ao teu peito pude ouvir a tua respiração sussurando-me o medo que tinha. Pude também sentir como teu coração batia forte e lentamente. Parecias estar calmo, até mesmo tranquilo. Olhavas para mim com aquele olhar que só tu sabes fazer, aquele que me seduz e derrete por completo e sorrias-me devagarinho, como quem tem medo de o fazer. Talvez não fosse o melhor momento para o fazer, porque partiria em breve, e as saudades encontravam-se já preparadas para tomar conta dos nossos corações e mentes, mas sentia necessidade de te sussurar o medo que tinha e o quanto estava fascinantemente radiante por teres voltado. Mas porque teria medo de novo? Porquê? Porque estava insegura. Porque pressentia que nos iriamos separar de novo, ou pior, que o nosso amor ia dissipar-se. Não! Nãoooo, isso nãooo. Fizeste-me uma promessa, que aparentemente parecia ser duradoura e não temporária. Rodeaste-me sempre de pensamentos bons e momentos felizes e memoráveis. Foi com estes que sempre acreditei no para sempre. Foi com tudo e um pouco mais de ti que pude amar-te desta maneira que só eu conheço. Nunca a chegaste a conhecer este sentimento, pelo menos tão bem como eu, e se continuas sem o conhecer bem, então duvido que algum dia o consigas realmente conhecer. Naquele momento, quando mais precisava das tuas palavras confortantes, naquele quarto fizeram soar-se as palavras "Não tenhas medo. Eu quero-te e amo-te para sempre. Tenho muito medo que me deixes, e que esta seja a última vez que olho para ti desta forma. E se já não me amas? Mas eu mereço, e sinceramente sei que não te faço feliz. Mereces alguém melhor. Sabes que te vou amar para sempre, não sabes? Primeiro e último amor da minha vida..." Enquanto estas palavras tocavam no meu coração frágil, senti um espinho das rosas do teu quintal a atravessarem-me o peito. Palavras teriam esse efeito? Não, era algo mais forte. Algo inexplicável. Foste capaz de me tomar como tua e de me abraçares fortemente, no minuto a seguir. Eu, preplexa, pensando que fosse tudo um sonho com tempo limitado, adormeci deixando-me levar pelo eco do teu 'amo-te' na minha cabeça. Acordando, dei por ti noutro lugar. Não fiquei preocupada, pois sabia que onde quer que eu estivesse, estarias a olhar por mim.
Sem mais nem menos, sem porquês ou razões, continuo a amar-te perdidamente, como nunca deixei de amar.

Espero que nunca tenhas coragem de quebrar as promessas mais fortes que me fizeste.