Para mais tarde recordar o que o tempo não levou...

sexta-feira, 5 de agosto de 2011

Quando eu era pequenina...





Tenho saudades dos tempos em que andava de mãos dadas com as minhas bonecas. Das longas tardes em que lhes penteava o cabelo, lhes vestia as suas mil e uma roupas e em que me entregava de corpo e alma às suas histórias. Não existiam preocupações. O mundo lá fora, desconhecido, não me perturbava, não me assustava, nem sequer me tocava num fio de cabelo. Eram tempos em que só eu, os meus brinquedos e os desenhos animados da televisão importavam. Lágrimas? Só quando não queria comer a sopa ou quando estava doente. Sabia o que era o amor, mas não da forma que sei hoje. O amor que outrora conhecia era o amor entre a família, aquele que, para mim, é o mais inquebrável, o mais difícil de se dissipar. Lembro-me de pensar que queria muito crescer, que queria muito ser como os adultos que, a meus olhos, me pareciam seres humanos fortes, resistentes e felizes. Pensava que, quando fosse mais velha, podia fazer as mil e uma coisas que me passavam pela cabeça sem ter de desafiar ninguém. A verdade é que estava redondamente enganada, pois ser criança é a melhor coisa do mundo. Ser criança é poder sonhar, imaginar, criar, explorar, rir, viver, pintar o mundo com todas as cores do arco-íris. Ser criança é ser feliz. E hoje, dava tudo para voltar atrás. Para ocupar a minha mente apenas com bonecas, lápis de cera, lancheiras e sestas à tarde.




Hoje sei que o mundo aos olhos de uma criança pode ser um mundo cheio das maiores maravilhas da sua imaginação. E é esse o valor do que ousamos chamar "vida".